PARE de Tomar Estas 7 VITAMINAS Achando que Protegem (Podem Aumentar o Risco de CÂNCER)
Escuta esse barulho. Tem grande chance de você ter engolido uma cápsula dessas hoje de manhã junto com o café. Ou sua mãe, ou seu marido. Pra cabelo, pra pele, pra unha, pra imunidade, pra te dar uma força.
Você engole achando que está se protegendo. E a pergunta que vai ficar na sua cabeça até o fim desse vídeo é: como é que uma coisa que eu tomo pra me proteger pode acabar fazendo o contrário?
Hoje você vai conhecer sete vitaminas e suplementos que, nas pesquisas, fizeram exatamente isso. Em vez de proteger do câncer, apareceram sendo aliadas ao lado dele. Dose comum de farmácia, e o caso mais grave eu deixo pro final.
O estudo que deu tão errado que os cientistas pararam no meio e mandaram cartas pras pessoas: "Pare de tomar hoje".
Esse frasco fica aqui ao lado o vídeo inteiro. E em cada item a gente confere se ele está lá dentro. E no fim, fecha a conta do polivitamínico mais vendido do Brasil. A marca não digo, não vai precisar.
Quais são as sete vitaminas e suplementos que podem aumentar o risco de câncer?
Número sete: NAC.
Abra a gaveta do remédio aí da sua casa. Aquele efervescente, o envelope que você mistura na água e fica com gosto de ovo podre. É a N-acetilcisteína, a NAC. Ela nasceu pra soltar catarro, virou celebridade.
E a sogra que terminou a quimioterapia no ano passado ganhou um pote de presente. "Toma, mãe, pra fortalecer". Só que em quem está tratando de um câncer ou acabou de tratar, essa proteção pode ser exatamente o que ajuda uma metástase a chegar viva do outro lado.
Vou te explicar. O raciocínio parece perfeito. Radical livre estraga célula, antioxidante neutraliza o radical livre.
Então, quanto mais antioxidante, mais protegido, né? Não.
O radical livre também é uma das armas que o seu corpo usa para matar célula estranha, incluindo câncer. Pensa numa célula de câncer que se solta do tumor e viaja pelo sangue. Aí, ela está sozinha, e o radical livre é uma das coisas que matam ela no meio do caminho.
É como uma barata atravessando a cozinha enquanto você está com o chinelo na mão. Aí alguém chega por trás, tira o chinelo da sua mão e diz, com todo carinho: "Deixa que eu estou te protegendo". A barata agradece.
Foi isso que apareceu no estudo de 2015 na Science Translational Medicine. Deram NAC a camundongos com melanoma. O tumor não cresceu mais, mas as metástases nos linfonodos dobraram.
A cápsula não sabe diferenciar célula boa de célula ruim. Protegeu as duas.
O pote vai junto na próxima consulta com o oncologista, e o presente de Dia das Mães passa a ser outro: uma bicicleta ergométrica.
A NAC não está nesse frasco da mesa. Essa a pessoa compra por fora, mas o próximo está dentro de uma castanha que o brasileiro adora, e vai inaugurar o placar.
Número seis, o selênio.
Você já ouviu que castanha-do-pará é cheia de selênio e que o selênio protege contra o câncer, não é? Pois é, a tireoide precisa dele, ele ajuda as defesas do corpo.
Agora, olha a manhã do homem de 60 anos que aparece em todo consultório do Brasil. 7:00 da manhã, duas castanhas, religiosamente. "Que o senhor mesmo falou, né, doutor?"
7:10, o polivitamínico, que já tem selênio. 7:15, a cápsula manipulada para tireoide, que viu também no vídeo.
Ele acha que fez três escolhas saudáveis. Na prática, antes das 8:00 da manhã, ele deu um triplo de selênio no próprio sangue. Se selênio fosse dinheiro, ele tava rico.
O estudo se chama SELECT, o maior que já foi feito. Mais de 35.000 homens tomando selênio e vitamina E, ou cápsula de farinha, por anos. O selênio sozinho não evitou câncer de próstata nenhum, mas os pesquisadores mediram quanto selênio o homem já tinha no corpo antes de começar, usando a unha do pé.
Isso mesmo. 35.000 homens e os cientistas lá recolhendo unha do pé. E nos que já tinham bastante selênio na unha, apareceu um risco 91% maior de câncer de próstata de alto grau, o tipo que cresce rápido e espalha.
Repara: o alerta apareceu justamente em quem já tinha selênio alto e recebeu ainda mais na cápsula. É o nosso amigo das três fontes.
E a castanha? A regra das duas castanhas por dia? Duas e não mais?
É ótimo. A cápsula só entra se o médico pediu selênio no exame e veio baixo. Do nosso amigo, o que sai da mesa é a cápsula.
E o frasco da mesa? Vira aí. Selênio está lá. Placar do frasco: um de sete.
Número cinco, a vitamina B12.
Acordou arrastando, a memória falhando, a perna formigando? A primeira coisa que todo mundo pensa é: preciso de uma vitamina B12. Até porque eu mesmo disse que faz bem para memória, para o nervo, pra disposição. E faz.
Sem ela, a pessoa fica anêmica, formiga, perde memória. Quem tem falta no exame, repõe e ponto.
Mas agora, pensa num casal. Ele fuma há 30 anos, um maço por dia, e acorda cansado. A esposa, preocupada, volta da farmácia com um frasco de B12 de 1.000 microgramas pra dar uma energia. Na cabeça dela, ela está cuidando do marido.
Ele começa a tomar todo dia. Na cabeça dele, uma coisa está compensando a outra. Não é bem assim.
Esse estudo se chama VITAL. Ele acompanhou mais de 77.000 adultos e olhou quais suplementos eles tinham tomado nos 10 anos anteriores. E apareceu um alerta importante. Entre os homens que fumavam, o grupo que mais tomava B12 em cápsula teve quatro vezes mais câncer de pulmão do que os fumantes que não tomavam.
Olha seu frasco aí. Tem 500 microgramas? 1.000?
Essa dose tem indicação médica quando existe falta no exame. Mas precisa ter motivo. Você está tratando uma falta que apareceu no sangue ou está tentando tapar o cansaço sem descobrir a causa?
Placar: dois de sete. O próximo também está nele, e a maioria das pessoas nem sabe que toma.
Número quatro, o ácido fólico.
Vira de novo seu polivitamínico. Aquele pra cabelo, pele, unha, e procura ácido fólico ou vitamina B9. Achou?
Em quase todos ele está lá. Você comprou pra unha, o ácido fólico veio de brinde.
Ele é a vitamina que faz célula nova, a matéria-prima do DNA. E por isso é vitamina da gravidez. Evita um defeito grave na coluna do bebê, o defeito do tubo neural. Nesse caso, o médico receita e você deve tomar.
O problema é quem não está grávida, não tem falta nenhuma e engole ácido fólico de brinde por 10 anos sem saber.
Olha o que aconteceu quando cientistas deram 1 mg por dia, por anos, para 643 homens, para ver se evitava pólipo no intestino. Saiu no JAMA em 2007. O pólipo não diminuiu.
Em 2009, quando foram olhar o resto, apareceu o que ninguém procurava. Câncer de próstata em 9,7% dos homens que tomavam o ácido fólico contra 3,3% dos que tomavam cápsula de farinha. Quase três vezes mais.
Os cientistas ficaram horrorizados porque, se ácido fólico é matéria-prima do DNA, um tumor microscópico que já estava escondido lá, quieto, é justamente quem mais vai querer fabricar DNA para crescer.
E tem um detalhe que quase nenhum brasileiro sabe. Aqui, por lei, desde 2004, a farinha de trigo e a farinha de milho do dia a dia já vêm com ácido fólico de fábrica. Pão francês, macarrão, bolo, biscoito: você já toma ácido fólico todo dia sem saber.
Se ainda engole o de brinde do pote para unha, está fazendo igual aos homens das castanhas: dose em cima de dose.
O nome até entrega de onde ele devia vir. Fólico vem de folha. Couve, espinafre, mas também leguminosas, feijão. Isso continua no prato.
E no frasco da mesa, ácido fólico está lá. Placar: três de sete. Três no mesmo frasco, e os dois piores ainda vão vir.
Número três, as cápsulas que podem atrapalhar o tratamento do câncer.
Se no laboratório o antioxidante tirou o chinelo da mão do corpo, dentro do hospital ele pode fazer coisa pior.
Imagine uma consulta de oncologia. A mãe sentada, no meio da quimioterapia, o cabelo caiu, ela tá fraca, enjoada, a filha do lado, segurando a pasta de exames.
O médico pergunta: "A senhora começou a tomar mais alguma coisa?" E a mãe: "Não, doutor. Só o que o senhor passou".
A filha confirma com a cabeça. As duas acreditam nisso.
Só que na casa, em cima da geladeira, tem uma sacola que parece compra do mês. Megadose de vitamina C, vitamina E, selênio, um imuno shot e um produto que uma conhecida indicou porque fez quimio e foi isso que salvou ela.
Na cabeça das duas, aquilo não é tratamento, é só uma ajudinha. A intenção é o amor; o resultado é o que eu vou te mostrar.
O estudo americano, o SWOG, acompanhou 1.134 mulheres com câncer de mama de alto risco na quimioterapia. Nas que tomaram antioxidante antes e durante a quimio, apareceu um sinal que preocupou os pesquisadores. A estimativa de recorrência foi 41% maior, o câncer voltando mais.
Por quê? Lembra do chinelo? A quimio e a radioterapia matam a célula do câncer, em boa parte, jogando um tsunami de radical livre em cima do tumor.
Agora, laranja, brócolis, fruta no prato: isso é o verdadeiro remédio, e a filha pode levar à vontade. O perigo é a cápsula concentrada, por conta própria, no meio do tratamento.
Então, se é você que está em tratamento, pergunta pro seu oncologista: "Doutor, o que eu tomo por fora pode atrapalhar a quimioterapia?" E se você é filha dessa história, mande esse vídeo pra sua mãe agora e leve a sacola inteira na próxima consulta. Não é pra brigar com ela, é pra cuidar dela.
Número dois, a vitamina E.
Deixa eu te contar de um homem que passa no consultório toda semana com um nome diferente. Ele e a esposa tentaram engravidar durante anos.
Na época do tratamento, o médico receitou vitamina E, porque ela protege o espermatozoide, melhora o sêmen e ainda ajuda o coração e as artérias, o colesterol.
Ele levou tudo isso, tomou direitinho, o filho nasceu. Hoje tem 15 anos, bigode na cara, calça 42, joga videogame até 2:00 da manhã, e a cápsula de vitamina E continua na mesa do café todo dia, há mais de 15 anos.
Se faz bem para tudo, por que parar? A missão da vitamina E acabou há 15 anos.
E isso foi testado. Lembra do SELECT? Ele foi desenhado justamente para provar que a vitamina E prevenia câncer de próstata. Os pesquisadores tinham tanta certeza que montaram o maior estudo da história para confirmar.
Quanto você acha que ela reduziu? Pensou? Nada.
Ela aumentou. Os homens das 400 unidades por dia tiveram 17% mais câncer de próstata do que os das cápsulas de farinha. No JAMA, em 2011.
E o pior: o aumento ficou claro depois que eles já tinham parado de tomar. A cápsula foi embora e o risco ficou.
E a dose era 400 unidades de DL-alfa-tocoferol. A cápsula da farmácia, a cápsula que foi receitada para uma fase da vida e nunca mais saiu. Essa sai da gaveta. Se na casa tem frasco assim, a pergunta para o médico é uma só: eu ainda preciso disso?
E dessa vez, não olha o meu frasco, olha o seu. Procura DL-alfa na tabela. Achou?
Então o placar é seu também. No meu, quatro de sete.
E agora o número um, o estudo que teve de ser interrompido.
Número um, o betacaroteno.
Betacaroteno é o que deixa a cenoura laranja, a abóbora, o mamão, a manga. O corpo transforma ele em vitamina A. E quem come muito vegetal tem menos câncer.
Então, nos anos 80, os cientistas fizeram a pergunta mais lógica do mundo: se a cenoura protege, a cápsula de betacaroteno protege também? Escolheram testar em quem mais precisava: fumante. Lembra do marido da B12?
É ele de novo. Só que agora são 47.000 iguais a ele.
O primeiro estudo foi na Finlândia, o ATBC, com 29.000 fumantes. Metade betacaroteno, metade farinha, por cinco a oito anos. Os cientistas abriram os envelopes e levaram um susto: 18% a mais de câncer de pulmão no grupo da vitamina.
Os americanos não acreditaram e fizeram o deles, o CARET, mais 18.000 pessoas, fumantes e trabalhadores que mexiam com amianto, tomando betacaroteno com vitamina A. Esse estudo tinha data para acabar. Não chegou lá.
Faltando 21 meses, o comitê de segurança abriu os dados em sigilo, olhou os gráficos e puxou o freio de mão. 28% mais câncer de pulmão, 17% mais mortes. Mandaram uma carta para cada participante: "Pare de tomar a cápsula hoje".
A cápsula de farinha era mais segura do que a vitamina. Farinha de trigo. A cenoura, o mamão, a abóbora continuam. A cápsula de betacaroteno não pode passar na porta de casa de quem fuma ou já fumou uma vez na vida.
Se o seu marido fuma e toma a cápsula para compensar, ele está tomando a cápsula que fez um estudo inteiro ser cancelado. Compensar? Ele está, só que na direção errada.
O frasco de volta na mão.
Agora pega o frasco de novo, vira para trás: betacaroteno ou vitamina A, está lá. Fecha o pacote. Cinco dos sete num comprimido só, engolidos todo dia de manhã por gente que só queria viver mais.
Os outros dois, a NAC e a sacola da quimio, a pessoa compra separado, achando que está completando a proteção.
Ah, doutor, então nenhuma vitamina presta?
Presta quando tem motivo. A vitamina D que veio baixa no exame, e você repõe na dose certa, protege seu osso. A B12 de quem usa metformina há anos, ou operou o estômago, ou não come carne, salva a memória e o nervo. A ferritina baixa, que você descobre e trata, devolve sua energia em semanas.
Então, na próxima consulta, em vez de pedir a vitamina da moda, peça pro seu médico olhar três coisas no exame de sangue: vitamina D, B12 e ferritina.
Hoje, quando você for pra cozinha, pega o seu frasco na mesa, vira pra trás e conta quantos dos sete estão aí.
E se você lembrou de alguém enquanto contava essas histórias, o amigo da castanha, o marido que fuma, a filha da sacola e o pai da vitamina E, manda esse vídeo no WhatsApp agora. Não é favor pra mim, é cuidado com ela. Pode ser a diferença entre um frasco a menos na gaveta e um diagnóstico que ninguém queria ouvir.