Canetas Emagrecedoras: Revolução ou um Desastre que Virá?
Robbie Williams, aquele cantor famoso, diz que está perdendo a visão. Ele perdeu 12 kg com as canetas emagrecedoras e agora não consegue mais ver o rosto das pessoas no público. Ozempic, Mounjaro, Wegovy e outras canetas. Você certamente já ouviu falar nelas, né? Enquanto isso, um estudo com quase 7.000 pacientes mostrou algo impressionante. Quem usa essas canetas tem 62% menos chance de morrer de câncer de intestino.
Então me diz, essas canetas são uma das maiores revoluções da medicina ou um desastre esperando acontecer? Nos próximos minutos eu vou te mostrar tudo. Os estudos que ninguém te conta, os riscos que seu médico talvez nem saiba e uma história sombria que a medicina quer esquecer. Porque o que eu vou te contar pode salvar sua vida se você pretende usar uma dessas canetas para emagrecer ou se você já está usando.
DESTRUINDO A MENTIRA
Antes de falar das canetas, eu preciso destruir uma mentira. Uma mentira que você provavelmente acredita. A mentira de que obesidade é falta de força de vontade. Que é só fechar a boca, que é preguiça. Isso é mentira. Sua gordura não é só peso, ela é um órgão. Um órgão ativo que produz mais de 50 substâncias químicas diferentes. E quando ela cresce demais, ela vira uma fábrica de inflamação. Uma fábrica que ataca você por dentro 24 horas por dia. E o pior, essa inflamação chega lá no seu cérebro, no hipotálamo, a parte que controla a fome, e faz uma coisa terrível. Ela desliga o sinal de chega. A pessoa não consegue parar de comer, não porque é fraca, mas porque o cérebro dela parou de ouvir o corpo.
E deixa eu te falar uma coisa, olhando bem para você agora. Se você já se sentiu culpado ou culpada por não conseguir parar de comer, eu quero que você respire fundo agora, porque o problema não era sua mente fraca, era sua biologia gritando mais alto que sua razão. E eu estou aqui para te ajudar a ouvir o sinal de chega de novo. Daqui a pouco eu vou te mostrar como as canetas tentam resolver exatamente isso. Mas antes você precisa conhecer o cemitério.
O CEMITÉRIO - PARTE 1: DINITROFENOL
Trabalhadores de fábricas de explosivo começaram a emagrecer sem motivo. Os médicos investigaram, descobriram que o produto usado nos explosivos acelerava o metabolismo. O nome: dinitrofenol. E pensaram: Vamos vender isso como remédio para emagrecer.
DESTRUINDO A MENTIRA
Antes de falar das canetas, eu preciso destruir uma mentira. Uma mentira que você provavelmente acredita. A mentira de que obesidade é falta de força de vontade. Que é só fechar a boca, que é preguiça. Isso é mentira. Sua gordura não é só peso, ela é um órgão. Um órgão ativo que produz mais de 50 substâncias químicas diferentes. E quando ela crresce demais, ela vira uma fábrica de inflamação que ataca você por dentro 24 horas por dia.
O CEMITÉRIO - PARTE 2: ANFETAMINAS
Anos 40, Segunda Guerra Mundial, soldados americanos precisavam ficar acordados em combate. Solução: anfetaminas. Funcionava. Eles ficavam alerta, cheios de energia e sem fome. Depois da guerra, alguém teve uma brilhante ideia: vender para emagrecer. As rainbow pills misturavam anfetamina com hormônio de tireoide, diurético, laxante, tudo junto. Em 1970, quase 10 milhões de americanos estavam tomando algum tipo de anfetamina para emagrecer. Consequências: vício, psicose, alucinações, arritmias, morte.
O CEMITÉRIO - PARTE 3: FEN-PHEN
Anos 90, dois remédios combinados: fenfluramina e fentermina. O nome comercial: Fen-Phen. Funcionava. As pessoas emagreciam muito e rápido. Em 1996, só nos Estados Unidos, 18 milhões de prescrições. Até que em 97 começaram a aparecer os casos. Mulheres jovens, saudáveis, com válvulas cardíacas completamente destruídas. O remédio foi retirado do mercado, milhares de processos, e o laboratório pagou 21 bilhões de dólares em indenizações.
O CEMITÉRIO - PARTE 4: MAIS DESASTRES
Lembra da sibutramina? 2010, descobriram que aumentava risco de infarto e AVC. Foi retirada. Efedra, 2004, ataques cardíacos, convulsões. Banida. Rimonabanto, 2008, causava depressão severa, suicídio. Foi retirado. Toda vez que aparecia um remédio novo para emagrecer, ele falhava. E agora chegaram as canetas.
O PONTO DE VIRADA
E agora silêncio, porque aqui vem o ponto crucial. Pela primeira vez na história da medicina a gente entendeu onde a obesidade realmente começa. Não é no estômago, não é na força de vontade. É no cérebro. Cientistas descobriram a leptina, que é um hormônio que a gordura produz para avisar o cérebro: Chega de comer, estou satisfeito. O problema: pessoas obesas têm muita leptina no sangue, mas o cérebro não escuta. E aí entra o GLP-1, um hormônio que seu próprio intestino produz toda vez que você come. Ele faz três coisas: Avisa o pâncreas para liberar insulina, avisa o estômago para esvaziar mais devagar, e avisa o cérebro que você está satisfeito.
A METÁFORA
As anfetaminas eram como uma marreta. Uma marretada no seu cérebro para ele parar de sentir fome. Funciona? Funciona, mas destrói a casa junto. Já o GLP-1 é o oposto. GLP-1 é como ajustar o termostato. Você não está quebrando nada, você está regulando com inteligência um sistema que já existe. Não é um estimulante, é um hormônio que seu corpo já produz naturalmente. A caneta só aumenta a quantidade desse sinal. Pela primeira vez, não estamos forçando o corpo a fazer algo que ele não quer. Estamos ajudando ele a fazer o que ele já deveria fazer.
OS DADOS POSITIVOS
Então, funciona? Funciona. Funciona até demais. Outubro de 2025, JAMA Oncology. Um estudo gigante: 86.000 pacientes analisados. Resultado: quem usava GLP-1 tinha 17% menos risco de desenvolver câncer. Não só um tipo — 14 tipos de câncer diferentes. Câncer de ovário: 47% menos. Câncer de endométrio: 25% menos. Meningioma: 31% menos.
Novembro de 2025, Universidade da Califórnia, San Diego. Quase 7.000 pacientes com câncer de cólon e obesidade analisados. A mortalidade foi de 15% para quem usava GLP-1, mas 37% para quem não usava. 62% menos chance de morrer.
A DESCOBERTA ACIDENTAL
Pessoas começaram a perder a vontade de beber álcool sem querer. Não era objetivo do tratamento. Um estudo sueco de 227.000 pessoas analisadas. Quem usava semaglutida tinha 36% menos hospitalizações por problemas de álcool. Sabe quanto os remédios específicos para alcoolismo reduziram? Zero. Remédio para emagrecer funcionou melhor que os remédios para parar de beber.
CORAÇÃO - MINHA ESPECIALIDADE
Metanálise gigante, JACC, 2025. Quase 100.000 pacientes analisados, 21 estudos no total. O resultado? 12% menos morte por qualquer causa. 15% menos risco de infarto. 15% menos insuficiência cardíaca. E não é só para diabético. Funciona em quem tem obesidade, em quem tem problema renal, em quem tem coração fraco.
OS RISCOS
Agora vem o outro lado da moeda, porque se eu não te contar os riscos, eu estou sendo desonesto com você. Lembra do Robbie Williams que eu te falei no começo? Ele não é o único. Existe uma condição chamada neuropatia óptica isquêmica anterior. O nervo do olho para de receber sangue adequadamente. Um estudo de Harvard encontrou que os usuários de semaglutida podem ter duas a quatro vezes mais risco dessa condição.
O QUE MAIS ME PREOCUPA COMO MÉDICO
GLP-1 retarda o esvaziamento do estômago. Isso é parte de como ele funciona, mas isso pode afetar a absorção de remédios que a pessoa toma. Eu tive um paciente epilético controlado há anos. Começou a caneta para emagrecer e voltou a ter convulsões. O anticonvulsivante começou a ser absorvido de forma errática. E já vi acontecer com anticoagulantes também. Paciente com histórico de trombose, tomando remédio para afinar o sangue há anos. Começou a caneta. Meses depois, um episódio de trombose grave. Quase perdeu a perna.
MENSAGEM DE SEGURANÇA
Se você toma anticonvulsivante, anticoagulante, ou qualquer remédio de janela terapêutica estreita, converse com o seu médico antes de começar a caneta. Essa informação pode salvar sua vida.
USO PRO RESTO DA VIDA?
Vou ter que tomar isso pro resto da minha vida? Minha resposta honesta: provavelmente sim. Janeiro de 2026, British Medical Journal. Analisaram mais de 9.000 pessoas que pararam de tomar GLP-1. O peso volta. Em média 0,4 kg por mês. Em menos de 2 anos, você está de volta ao seu peso inicial. Obesidade é uma doença crônica. Doenças crônicas precisam de tratamento contínuo.
CONCLUSÃO
As canetas são a salvação ou o desastre? Nem um nem outro. Elas são a primeira vez na história que a medicina está tentando tratar a obesidade onde ela realmente começa. No cérebro. Com um hormônio que seu corpo já conhece. Não é forçar, é regular. Não é remédio milagroso, tem riscos reais que você precisa conhecer, mas também não é um monstro que alguns pintam. É uma ferramenta poderosa que precisa ser usada com conhecimento. E agora você tem esse conhecimento.