Esta Terapia Está CURANDO Câncer Terminal (Comprovado pela Ciência)

CURAR DOENÇAS DÁ PREJUÍZO? A Verdade Chocante da Medicina

“Curar pacientes é um modelo de negócio sustentável?” foi exatamente essa pergunta que, o Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, fez em 2018. Você entendeu? Um banco perguntando se curar pessoas dá lucro? Para mim essa pergunta além de fria, cruel é terrível! E ela revela uma lógica que afeta a pesquisa médica, o preço dos remédios, e principalmente: quem ganha quando você está doente.

Hoje eu vou te mostrar: por que o mercado às vezes prefere tratamentos contínuos em vez de curas, e por que, mesmo assim, a ciência está avançando tão rápido que pode mudar tudo. Você vai sentir revolta, sim. Mas também vai ter uma esperança real, como você vai ver.

Em 2018, um relatório da Goldman Sachs colocou em termos crus o problema de curar doenças. Eles disseram assim: “Terapias que curam de uma vez criam um problema para o modelo de receita financeira das empresas.” Traduzindo: se você cura o paciente, ele para de comprar remédio. Então isso é péssimo para a indústria.

E eles deram um exemplo prático: a empresa Gilead desenvolveu um medicamento que cura mais de 90% dos casos de Hepatite C. Cura! Não trata, cura. E olha, hepatite C é uma hepatite que dá câncer. Um remédio que deixa o paciente livre da doença, curado. Nossa, que maravilha.

E sabe o que aconteceu? As vendas desse medicamento despencaram de 12 bilhões de dólares em 2015 para menos de 4 bilhões em 2018. Por quê? Porque simplesmente não tinha mais gente doente pra tratar! E, também, você curando, você não passa essa doença para frente…

Ou seja, se você tem um produto que funciona tão bem, que cura, ele se autodestrói. Entendeu a lógica? Tratamento crônico significa que você vai ganhar dinheiro todo mês, é você consegue prever o seu lucro de amanhã. Cura? Você dá o remédio uma única vez, e aquele dinheiro que viria todo mês desaparece junto com o paciente curado.

“Ah, André, mas então você tá dizendo que é uma conspiração? Que tem gente que está torcendo que a gente continue doente?” Não. Não é teoria da conspiração. É algo pior: a lógica fria do mercado que transforma a doença em um produto. As empresas respondem a investidores. Investidores querem fluxo de caixa previsível. E quando a planilha mostra que doentes crônicos rendem mais que pacientes curados, as prioridades mudam.

Claro que têm médicos e pesquisadores que trabalham duro para encontrar curas. Mas o sistema onde eles operam tem outros incentivos. E você pensa: essa máquina maquiavélica vai ganhar. E deixe eu te explicar o por quê isso não é verdade.

O rosto por trás de uma das maiores revoluções médicas do século é desse cara aqui: Dr. Carl H. June, um imunologista americano. Nos anos 1990, o grupo dele desenvolvia técnicas para reativar células de defesa do corpo. Inicialmente, era para tentar tratar HIV.

Mas em 1995, a vida dele mudou para sempre. A esposa dele, Cindy June, foi diagnosticada com câncer. Ela passou por todos os tratamentos convencionais, quimioterapia, cirurgia, mas nada funcionou. O acesso a terapias experimentais era muito difícil naquela época. E ela veio a falecer.

Mas essa perda transformou a missão vida de Carl. No leito de morte dela, ele jurou para si mesmo e para a esposa que ele acharia a cura do câncer. Ele deixou de atender pacientes na clínica e dedicou completamente, de corpo e alma, a desenvolver terapias que pudessem curar o câncer, o seu maior inimigo. E foi aí que nasceu a CAR-T, uma das tecnologias mais revolucionárias da medicina moderna.

A ideia do Carl June foi genial: você pega as próprias células de defesa do paciente, ensina elas a reconhecer o tumor, e devolve pro corpo pra atacar o câncer. É como se você pegasse os soldados do seu exército, treinasse eles pra reconhecer o inimigo, a cara, o cheiro, as pistas que ninguém consegue ver, e mandasse de volta pro campo de batalha.

Essas células modificadas são chamadas de CAR-T, ou cart cell, como também são conhecidas que significa Células T com Receptor de Antígeno Quimérico. Ele começou a fazer pesquisas em ratinhos, deu certo. Depois foi subindo até receber uma bolada do NIH americano para tratar cerca de 100 pacientes.

Porém, veio algo trágico. Em 2008, o que aconteceu? Lembra? Uma queda da bolsa absurda nos EUA, por causa da bolha imobiliária, subprime. O Goldman Sachs, aquele do relatório que falava: perigo, não cure! Foi um dos atores centrais na crise das hipotecas subprime de 2008, vendendo ativos de alto risco para investidores, enquanto apostava contra esses mesmos ativos, gerando lucros com as perdas alheias.

E o que aconteceu? O NIH teve que cortar a grana que viria. De 100 pacientes, eles soltaram dinheiro para pouco mais de 10. Sabe o que é isso em pesquisa? Você não tem número suficiente para afirmar que algo funciona. Só se você curar muitos desses pacientes.

E em 2010, 15 anos atrás, veio a primeira prova de que a CAR-T veio para revolucionar, mesmo! Bill Ludwig tinha leucemia, um tipo de câncer no sangue. Fez todos os tipos de quimioterapia. Todos tratamentos convencionais não funcionaram. Ele estava com os dias contados.

Dr. Carl June, vendo a gravidade do caso, pegou as células de defesa dele, treinou elas em laboratório para atacar o câncer de Bill e reinjetou. Resultado: quando ele recebeu a terapia CAR-T, remissão completa. Ou seja, cura! De uma doença que não tinha mais jeito, nenhum tipo de tratamento.

Foi o primeiro sinal de que aquela tecnologia funcionava em adultos que não tinham mais opção de tratamentos disponíveis. Ele tratou o segundo paciente. Mesma coisa. Tratou o terceiro. Cura também, quarto, quinto.

Até que, em 2012, chegou o caso que trouxe atenção mundial. Emily Whitehead tinha apenas 6 anos de idade. E ela tinha leucemia linfoblástica aguda, um dos tipos mais agressivos desse câncer de sangue. Ela já tinha passado por quimioterapia várias vezes, e o câncer sempre voltava. Os médicos disseram aos pais dela que não havia mais opções. Emily estava morrendo.

Os pais souberam das curas com CAR-T e resolveram entrar em contato com ele. O Dr. Carl June já tinha passado por isso com a esposa. E ele tinha uma filha. Apesar de quebrar protocolos, ele estava testando em adultos. Mas o sofrimento dos pais o convenceu.

Emily recebeu suas próprias células modificadas e inicialmente pareceu funcionar. Mas poucos dias depois, ela desenvolveu uma reação gravíssima. As células modificadas estavam funcionando, mas funcionando demais. O corpo de Emily entrou em uma tempestade de citocinas, uma reação inflamatória maciça que estava destruindo os órgãos internos dela. Febre altíssima, pressão despencando, os órgãos começando a falhar. Emily foi colocada em coma induzido. Os médicos não sabiam o que fazer.

Dr. Carl June, vendo o estado da menina, começou a escrever um e-mail de desculpas para o NIH que estava patrocinando o experimento. Não tinha mais jeito. A sua terapia iria matar uma criança tão nova.

E foi aí que veio na sua mente uma ideia desesperada. A equipe da UTI tinha identificado que uma substância chamada IL-6 estava disparando no corpo dela. Era isso que causava toda a inflamação. E por uma coincidência, veja como é coisa do destino, a filha de Carl June tinha artrite reumatoide. E ele sabia que existia um remédio que bloqueava exatamente essa substância, a IL-6. O remédio se chamava Tocilizumab. Era usado pra artrite. Nunca testado nessa situação. Nunca aprovado pra isso. Não tinha estudo. Não tinha autorização. Não tinha garantia. Tinha uma menina de 6 anos morrendo.

A equipe se reuniu. A pergunta era simples: “A gente arrisca ou a gente fica parado?” Decidiram arriscar. Aplicaram o tocilizumabe. E esperaram. Horas depois, a febre começou a ceder. A pressão estabilizou. E, exatamente no dia do seu 7o aniversário, Emily acordou. E quando fizeram os exames, o câncer tinha desaparecido. Emily estava curada.

Que presente, hein? Antes, ela tinha sofrido por 16 meses de quimioterapia pesada e ineficaz para ela. E sabe o que é mais impressionante? Ela continua curada até hoje. Mais de 12 anos depois. Emily mostrou ao mundo que a cura não é utopia. É realidade.

Dos primeiros 12 pacientes que o Dr Carl June conseguiu tratar com verbas limitadas, 9, ou seja, 75%, alcançaram a cura completa, incluindo 2 crianças. Isso para pacientes terminais, sem nenhuma outra opção de tratamento. Sabe quão raro na medicina é isso? Foi algo que chocou a comunidade científica.

Vamberto, de 64 anos, enfrentava um linfoma extremamente agressivo, que já tinha se espalhado pelos ossos. A doença estava em fase terminal: ele não conseguia mais andar, vivia com doses máximas de morfina e, no começo de setembro, seu corpo estava praticamente tomado por tumores. E, também, não existia mais nada o que pudesse ser feito. Esgotado todos os tratamentos.

Foi então que ele buscou o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, para tentar algo que ainda era experimental no Brasil e inédito na América Latina, conduzido por uma equipe ligada à USP: uma terapia genética conhecida como CAR-T Cell. O resultado foi considerado extraordinário. Após o tratamento, ele teve melhora rápida. Em outubro, Vamberto recebeu alta com um quadro descrito como cura, remissão completa.

A terapia CAR-T foi aprovada pelo FDA em 2017. Isso significa que ela é oficial. Não é alternativa, não é experimental. O problema é o CUSTO. Pode chegar a 500 mil dólares por tratamento nos Estados Unidos. Por que tão caro? Porque cada tratamento é personalizado. São as células do paciente, modificadas em laboratório, e devolvidas pra ele. Não é uma pílula que você fabrica em massa. É medicina de precisão, sob medida.

Aqui no Brasil, desenvolveram esse mesmo tratamento por menos de 500 mil reais. Incrível! Tecnologia brasileira, mas, por enquanto, ainda muito cara. Progresso existe. Mas acesso e preço ainda retardam o impacto em massa.

Porém… aqui vem a boa notícia. O trem da ciência está acelerando. Inteligência artificial está encurtando o tempo de descoberta de novas drogas. Plataformas de fabricação estão crescendo. Novos métodos estão reduzindo custos.

Tome por base o que aconteceu na análise genética… Sabe quanto custou o sequenciamento do DNA humano no projeto genoma? 30 bilhões de dólares. 30 bilhões… Isso anos 90- 2000. Hoje, para você fazer o sequenciamento do seu dna… o seu… quanto custa? mil dólares, tem caso até de 500. 30 bilhões para 500 dólares em 35 anos.

Já existem pesquisas com CAR-T para tumores sólidos, não só leucemias. Estão testando para câncer de pâncreas, de pulmão, de mama. E outras terapias genéticas e celulares estão surgindo que podem curar doenças que antes eram sentenças de morte.

Os gananciosos podem atrasar. Mas parar? Não param. A medicina está sendo mais específica, mais sua. Qual é a sua doença? Qual é o seu defeito genético, a sua mutação? Isso se chama medicina de precisão, medicina individualizada. É caro, é. Mas é eficaz como nenhuma outra terapia.

Por isso, temos que apoiar pesquisas públicas e políticas que incentivem curas em vez de apenas tratamentos recorrentes. Pra fechar: a ciência não para. E muitas curas estão vindo. O trem da ciência está em alta velocidade. Qualquer um que ouse entrar na frente dele vai ser atropelado pela história.

E aqui vem a ironia da história. Lembra do relatório do Goldman Sachs que abriu esse vídeo? Aquele que perguntava se curar pacientes era um modelo de negócio sustentável? Pois é. Sabe quanto o mercado de terapias CAR-T movimenta hoje? Mais de 4 bilhões de dólares por ano. E está crescendo 30% ao ano. Em 2017, quando foi aprovada, era zero. Hoje, mais de 80 mil pacientes no mundo já receberam essa terapia.

O mercado descobriu que cura também dá dinheiro. Que salvar vidas pode ser lucrativo. Que a ciência, quando avança, cria novos mercados. A ganância tentou frear. Mas a ciência venceu. Ela é tão potente que ela dobra o mercado.

Emily Whitehead era uma menina de 6 anos sem esperança. Hoje ela é uma mulher adulta, curada, vivendo sua vida. Sorrindo. Se não é isso que dá esperança, eu não sei o que é.

André Wambier, cardiologista